Na contagem regressiva para o dia do pleito em todo o Brasil, é o caso de nós, reles eleitores, suspirarmos aliviados. Afinal, já está quase todo mundo esgotado de tanto papo furado da grande maioria dos candidatos.
Ligo o rádio (particularmente meu meio de comunicação ainda predileto), e lá estão eles, prometendo o paraíso ao povo. Se ligo a tevê, lá também estão eles, mostrando suas caras lavadas, dedo em riste, prometendo o paraíso ao povo.
Nos meios digitais, 24 horas por dia, lá também estão eles, prometendo o éden ao povo, enchendo linguiça com propostas via de regra estapafúrdias, da boca pra fora, inexequíveis, utópicas, tais como dobrar o salário mínimo, obrigar todos os parlamentares e suas famílias a usarem o SUS, devolver ao Estados todas as empresas privatizadas... Já outro garante que vai reduzir a escala de trabalho para trinta horas semanais. Piada pronta.
E há também, no amplo território das glórias anunciadas ao povo, aqueles postulantes aos diversos cargos, principalmente aos legislativos estadual e federal, sintonizados com temas bastante atuais e palpitantes, para em torno disso querer tirar partido.
Temas como autismo, protagonismo e escuta, uber e regulamentação, apostas online, cibersegurança, saúde mental na era digital, neurodivergentes e inclusão, aquecimento global, cães e gatos de rua etc etc. Uma embiricica de causas em voga no presente século, para as quais não falta candidato que à custa delas procure abocanhar voto.
Segurança da mulher e combate à violência são assuntos mastigados demoradamente na boca da quase totalidade de senhores e senhoras candidatos. Há deles e delas prometendo, garantindo, empenhando a palavra e a própria alma, que vão acabar com a violência no país. Então pergunto: se acabarem a violência, nas próximas campanhas vão se agarrar em qual gargalo, em busca de voto?
Enfim, de norte a sul, de leste a oeste do país, milhares de candidatos escalam a torre de babel da campanha política para, lá do topo dela, confundirem não as línguas, mas a cabeça do povo, com o discurso de má-fé, o veneno da demagogia, os impropérios de uns contra os outros, a desconstrução recíproca do adversário, o jogo sujo, numa competição selvagem e desenfreada para chegar ao pódio e nele desfrutar, por longos anos, das bem-aventuranças bancadas por milhões de brasileiros.
Só lembrando: no momento, o poder está na mão do povo. Depois do pleito, voltará às rédeas deles. E mais: teu voto será tão insignificante depois do pleito, que, se acaso não compareceres à urna eleitoral, a multa será de apenas R$ 3,50 (três reais e cinquenta centavos)! Mas isto é só mais uma pegadinha de mau gosto. Pois o Código Eleitoral prevê sanções mais lesivas, num país democrático onde o voto é obrigatório. E onde o que chamam festa da democracia torra bilhões de reais do erário...
Sim, e ainda vamos encarar a campanha do segundo turno! Vôte!
💬 Comentários
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro!